sábado, 16 de maio de 2015

Soneto da Infidelidade, de Milton Rosendo










Soneto da Infidelidade



A mais, amor não seria se não te amasse e não traísse
e traindo-te, a ti, retornasse ainda mais fiel e amante
e ainda mais certo de que amar é um descomedir-se...


A mais, se não te traísse, Amor, amando o que não amo,
burlando por amor a ti esse amor firme e constante,
que seria da fé de que perder-te é o que mais temo?


Bem mais de ti me ajunto quanto mais de ti me afasto
e se, em outros corpos, te busco numa vã entrega,
é para, ao fim de tudo, achar-te em minha busca cega
e a ti me entregar num amor mais dilatado e casto...


Bem mais te pertenço em não pertencer-te e trair-te
numa torrente de amor que se afirma quando nega
ao que ama de maneira louca e vasta e sôfrega
e que só se dá aos poucos, a cada vão instante...



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