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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Papel no Varal, 6 anos de poesia na cidade

Um evento para quem gosta de poesia. 29 de abril de 2015, quarta-feira. De poemas clássicos universais, como Autopsicografia, de Fernando Pessoa, e Funeral Blues, de W.H. Auden, às preciosidades nacionais e alagoanas, como Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, e Pontos Cardeais, de Marcos de Farias Costa, foram muitos os poemas recitados a uma plateia atenta e animada. A noite mostrou que o Papel no Varal é o principal evento poético de Alagoas desde que surgiu. E o criador do projeto, Ricardo Cabús, anunciou a criação do Amigo do Papel no Varal, um espécie de programa sócio-torcedor.

Ricardo Cabús comandou o evento e abriu espaço para qualquer pessoa subir ao palco de recitar um poema tirado do varal, que ficou num salão ao lado do espaço onde estavam plateia e palco. Alguns importantes poetas alagoanos se fizeram presentes na noite, como o já citado Marcos de Farias Costa e Fernando Fiúza.

Música em alguns intervalos, parabéns diversos, alegria na recitação seguida de momentos de reflexão, papeis espalhados aos quatro cantos, vozes internas declamando outros cantos relembrados, pessoas da velha idade ao lado de jovens descobridores da magia poética.




Como alguns disseram naquela noite: vida longa ao Papel no Varal!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Oficina do soneto, de Marcos de Farias Costa







Oficina do soneto


Pra cometer um soneto é preciso
dosar-se muito bem amor e morte
e da mistura então glosar o mote,
assim como quem monta um paraíso.

Um soneto se faz com azar e sorte,
uns lances de loucura e de juízo -
um soneto se arma em pranto e riso,
o coração ao sul e a mente ao norte.

Mas fazê-lo perfeito, necessário
o tom mais pessoal, e o verbo vário,
senão resta somente artifício.

E eis que chego ao fim do impune vício,
ponho o verso final, branco no preto,
e pronto, terminei este soneto.


(Do livro Doce Estilo Novo, de 2000, p. 59.)

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