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sábado, 23 de maio de 2015

Açaí, de Djavan

Açaí

Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração,
Coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um ímã
Branca é a tez da manhã

Açaí, guardiã
Zum de besouro um ímã
Branca é a tez da manhã



(Do disco Luz, de 1983.)

Vídeo com uma versão voz e violão de Djavan e Gal Gosta, que foi uma das grandes intérpretes de canções de Djavan.




sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lambada de Serpente, de Djavan







Lambada de Serpente


Cuidá dum pé de milho
Que demora na semente
meu pai disse meu filho, noite fria, tempo quente


Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor


No chão da minha terra
Um lamento de corrente
Um grão de pé de guerra
Pra colher dente por dente


Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor



(Do LP Alumbramento, de 1980.)


Abaixo, uma gravação ao vivo de Djavan.



O coral Madrigal Sempre EnCanto, da UNICAMP, também cantou Lambada de Serpente. Ficou muito boa a performance. Veja abaixo.



domingo, 3 de maio de 2015

Um pequeno vídeo pra se guardar

Há um pequeno vídeo no Youtube em que três dos grandes poetas alagoanos são brevemente retratados. Fernando Fiúza e Gonzaga Leão falam um pouquinho sobre a iniciação poética. O primeiro tem o poema Abacaxi declamado numa bela encenação; o segundo declama um trecho do Poema Dois, do livro Casa somente Canto, Casa Somente Palavra. E Ricardo Cabús é mostrado declamando o poema Remanchando em Maceió, num dos eventos do Papel no Varal. São referidos, no texto inicial do vídeo, os poetas Marcos de Farias Costa, Anilda Leão e Vera Romariz, mas nesse vídeo não é mostrado mais nada sobre eles. Pena não termos outros vídeos desses e de outros poetas alagoanos na mesma formatação. Quem sabe um dia!

Veja, pois, esse pequeno vídeo histórico.


domingo, 26 de abril de 2015

A Mala, de Ângelo Monteiro

Vídeo com a recitação do poema A Mala, na voz do autor.


A Mala


Atirei a mala sobre o mar
E o mar sobre a mala
E o mar sobre a mala
Se debateu.

Mas porque atirei a mala
Volúvel razão me cala
Pois nem sei como fui eu.

Negra e súbita maré
Depois se abre aos meus pés
e eu vago atrás dessa mala
Como de algo íntimo e meu.

Até hoje procuro a mala
E o mar não ma devolveu.


(Fonte, incluindo o texto: https://www.youtube.com/watch?v=dMd6k5lKk8M .)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Soneto 34, de Carlos Moliterno


Soneto 34



Quando a Ilha fundou, fundou um reino
e a história começou: era uma vez
um velho marinheiro sem navio
que uma Ilha fundou no próprio rosto.

Isolado ficou na Ilha intacta,
entre areias e búzios e sol e chão,
e o mar e os frutos e as águas nos seus olhos
e o corpo repousado sobre a relva.

O mundo desatado sobre a Ilha
era seu. Era sua a geografia
daquele reino que fundara um dia,

na infância breve e logo consumida,
e era sonho e não era, porque sonho,
e o mistério do sonho é ser e não.


(Do livro A Ilha, de 1969. In Carlos Moliterno: vida e obra, de Arriete Vilela, de 1985, p. 74.)



Abaixo, um vídeo com a fala do poeta Carlos Moliterno, quando contava 85 anos, com direito à recitação de alguns poemas. O vídeo foi gravado em 1996, pelos jornalistas Arla Coqueiro e Cláudio Manoel, e revela um pouco da sabedoria e da perspicácia poética do autor d'A Ilha.




domingo, 19 de abril de 2015

Confraria: Nós, Poetas - um grande recital


O evento ia começar às 17:00.  Só começou às 17:25. Mas às 16:15 eu estava saindo de casa para ir pegar o ônibus para ver o recital de poesia do grupo Confraria: Nós, Poetas, daqui de Maceió. Fazem parte da formação inicial os poetas André Maurício, Ciro Pimentel, Eduardo Proffa, Geo Santos e Majal-San. A apresentação ficou com a jornalista e também poetisa Gal Monteiro. Perguntei-me, enquanto me dirigia ao ponto de ônibus, quantas pessoas, em Maceió, estariam saindo de casa mais ou menos naquela hora para o mesmo evento. Imaginei que poucas, pouquíssimas. Mas isso é importante? E, se é, para quem?


Era um projeto novo e diferente em Alagoas, mas não único em colocar a poesia era no centro, como núcleo da existência daquele encontro. Tal já acontece há alguns anos com o Poesia no Varal, coordenado pelo poeta Ricardo Cabús, onde a liberdade e o dinamismo poéticos são marcas sempre presentes. Além da universalidade poética. O Poesia no Varal foi pioneiro no uso das redes sociais para divulgar e atrair pessoas de diversas matizes poéticas. Mas não deixa de ser uma qualidade a escolha consciente da Confraria em declamar poemas de autores alagoanos ou radicados há muitos anos em Alagoas. Afinal, todos sabemos o quanto é fácil, com a internet, ler poemas de autores do mundo inteiro. Mas na maioria das vezes não olhamos para a poesia do nosso vizinho de casa, de prédio, de rua, de bairro, de cidade.
E é sempre muito bom ouvir, sobretudo sob um acompanhamento de um bom violonista, um poema. Sob acompanhamentos musicais, qualquer poema pode se tornar deveras interessante. Isso, no entanto, não confere nem retira a boa qualidade de um poema. E o terceiro
* recital da Confraria, neste sábado 18.04.2015, foi muito bom. O pequeno teatro o SESC Centro ficou praticamente lotado. O público parecia estar preparado para ouvir poesia declamada e não atrapalhou nem interrompeu a declamação dos cinco poetas, que trouxeram poemas de poetas e poetisas diversos, além de suas próprias poesias.


Havia, durante as declamações, duas bailarinas (ou dançarinas) fazendo performances de acordo com os temas tratados nos poemas. E o violão suavizava o tempo. 
E tudo foi dito. E o possível foi compreendido. E o resto é matéria de jornal e de especulações várias.
Que haja mais eventos desse tipo em Alagoas, não apenas em Maceió.
Assim que for possível, postaremos alguns poemas declamados nesse encontro poético.
Abaixo, veja o poema Contrato Póetico, de Fábio dos Santos (Fábio Poeta).

* O primeiro ocorreu em 11.04; o segundo, poucos dias depois, para maiores de 60 anos; o terceiro e último dessa primeira etapa em 18.04.2015.

Diga o que achou do blog ou de algum poema. Agradecemos desde já seu contato.

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