segunda-feira, 20 de julho de 2015

Curiosidades da literatura alagoana – Alfredo de Barros Lima Junior e Jorge de Lima

Numa crônica sobre Jorge de Lima, o advogado e poeta alagoano Alfredo de Barros Lima Junior fez um relato acerca da amizade entre os dois poetas, que foram amigos na mocidade e passaram um longo tempo afastados, voltando depois a terem um breve convivência, já que Jorge havia se estabelecido no Rio de Janeiro, e Lima Junior ainda residia em Maceió. Nessa crônica, Lima Junior conta o momento em que percebeu (e se inquietou!) a mudança de rumos da poesia de Jorge, quando este confirma sua adesão à estética modernista. Segue, abaixo, trecho do relato de Lima Junior.

(Do livro Alguns homens do meu tempo: evocaçōes e reminiscências, de Alfredo de Barros Lima Junior, de 1963, p. 74.)

ARDENTE SINFONIA, de Rachel Rocha Omena













ARDENTE SINFONIA


O poema se cala nos momentos onde
te recebo entre minhas entranhas
estendendo meu olhar definido rumo ao infinito
ligando a alma a nossos instantes
entre laços e lágrimas de prazer
Vivendo noites que prometem
fazendo aflorar a glória
de um ardente espetáculo
sem dar vazão a razão
interlúdio entre cenas ousadas
que lambe a pele em chamas
Sons e vozes de um universo em oração
mensagem entre desígnios e sinfonias
verso que chora a
felicidade do coração



A FELICIDADE DE UM SERTANEJO, de Cicero Manoel Cordelista
















A FELICIDADE DE UM SERTANEJO




Meu sertão tava tão seco
Que o chão tava rachado,
De joelhos eu pedia
Para meu Senhor amado,
Chuva pra molhar a terra
Pra eu plantar meu roçado.


Já tinha brocado a terra
Mas a chuva não caía,
Novena pra São José
Com a mulher eu fazia,
Vendo o sol torrando tudo
Eu chorava de agonia.


O pasto tinha morrido
A palma se acabado,
O barreiro aqui de casa
Tinha ha dois dias secado,
A vaca tava caída
E o meu burro enterrado.


Uma tarde eu combinei
Com minha esposa Maria,
De deixar nosso sertão
Na manhã do outro dia
Em busca de terra verde
Onde seca não havia.


Mas quando a manhã raiou
O dia amanheceu nublado,
E a chuva veio do céu
Deixando a gente inundado,
Numa semana o sertão
Ficou verdinho e molhado.


Logo plantei minha roça
Feliz, cheio de energia,
Minha vaca levantou-se
Vendo o pasto que nascia,
E na friagem da noite
Fiz um moleque em Maria.


A seca daqui sumiu-se
Graças a meu Deus amado,
O barreiro está cheio,
O meu roçado plantado,
Em meu cercadinho pasta
Cinco cabeças de gado.


Maria tá com o buchão,
Tá quase chegando o dia,
De nascer o nosso filho
Aqui nessa moradia
Que eu fiz para viver

Com fé e com alegria.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Monólogo da chuva, de Aldemar Paiva



Está chovendo aí ?
E na sua vida ?
E na sua alma ?



Se chovia na noite em que nos vimos
e conversamos pela vez primeira ?
Chovia sim, e a cidade inteira
brilhava sob a chuva que caía...
A chuva, o frio, as luzes e o reflexo
daquela gente tonta no passeio,
tudo aumentava aquele meu receio
na onda de amor que me envolvia !



Se eu tremia na hora em que nos vimos,
num nervosismo incompreensível ?
Tremia sim, mas era irresistível
a força que de ti me aproximava...
E quando caprichosa pelo asfalto
a chuva fez espelhos coloridos
eu disse com ternura aos teus ouvidos
que o teu encanto me enfeitiçava !



Se era verdade o que eu te confessava
de chofre como um grito inesperado ?
Verdade sim, eu nunca tinha amado
e disse o que pensava e o que sentia...
Sorriste e em teus olhos de repente
As meninas felizes me acenaram
refletindo meus olhos que brilharam
numa ventura que eu desconhecia !



Se juntos nós andamos pela noite
quando a chuva passou, sem ter destino ?
Andamos sim, e o teu rosto divino
eu afaguei com minhas mãos grosseiras...
O sol e a chuva nos brindaram sempre
com horas de perenes alegrias
até que terminaram nossos dias
de estima e confiança verdadeiras !



Se eu fiquei triste e só quando tentada
por um capricho ou por alguém talvez,
fugiste dos meus braços certa vez ?
Eu fiquei sim. E por sinal chovia...
E a bendita chuva que te trouxe,
deixara de ser boa e te levara
enquanto nesta angústia me deixara
ilhado de saudade e de ironia...



Se eu te esqueci, agora que a lembrança
te prendeu no passado sem piedade ?
Esqueci sim. E se chega a saudade
já não me encontra com as mãos tão frias...
Teu vulto apagou-se na memória,
és uma sombra e não me fazes mal...
Agora, a chuva sim é um algoz fatal
que evoca a noite que estragou meus dias!




4º Encontro dos Escritores Alagoanos




Organizado pelo Portal dos Escritores Alagoanos e pela Academia Pilarense de Letras, o 4º Encontro dos Escritores Alagoanos será realizado no dia 25 de julho de 2015, em Pilar-AL. Mais informações no site do Portal (http://www.escritoresalagoanos.com.br/).

Noite fria..., de MCarmo Costa

Noite fria...
A chuva cai devagar, latejante.
Me enrosco sob os lençóis
na cama amiga
que abriga
minha alma carente,
lasciva,
meu corpo calado,
molhado.
Solitário.




Rosa antes da palavra rosa, de Geraldino Brasil

Rosa antes da palavra rosa,
antes da palavra flor,
antes da palavra cor,
na tua original pureza,
beleza intocada antes
do primeiro beija-flor
que hauriu teu néctar
em êxtase, rosa antes
do primeiro jardineiro
amante em que começaste
na primeira excitação
do primeiro humano olhar,
esta amorosa emoção
da poesia de amar.


(Do livro Não haverá o anoitecer, de 1991, p. 15.)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

RPA no Facebook

Agradeço a todos os que já visitaram e entraram em contato com a administração deste blog, demonstrando não só interesse no tema, mas uma grande vontade de ver a poesia alagoana ser mais divulgada, mais comentada, mais vivida. E informo que a RPA agora tem fanpage, como dizem os mais entendidos em tecnologia. É uma página no Facebook, para quem desejar interagir de forma mais imediata e curtir a RPA. O endereço da fanpage é https://www.facebook.com/revistadepoesiaalagoana . Abraço a todos.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Chuva... , de Lis Nogueira










Chuva...



Chuva que cai
E me rasga a alma
Como ácido,
Exigindo de mim a pele,
Lavando as minhas verdades,
Enquanto nasço planta nova,
Desse solo árido. 

Chuva,
Que me desnuda o silêncio,
Confunde os meus caminhos,
Molhando meus pés e passos,
Diante da lama que só eu vejo.

Chuva forte;
Que decide o que será do meu destino,
A dança ou a quietude...
Cai gota a gota
Enquanto penso sobre as pendências em mim.

Chuva que fere o aço,
As culpas e os estilhaços;
Nutre como enxurrada as minhas esperanças,
Desperta os sons da minha essência;
Do banjo ao baixo,
Dos suspiros aos gritos. 

Chuva que me leva a sombra
E desbrava as fronteiras
De medos que não tenho mais;
Nem mesmo do excesso
Que inunda meu cais,
Nem mesmo da correnteza
Que costuma me acorrentar,
Nem mesmo da tempestade
Que demora a passar.

Chuva
Que me serve muito;
Serve até para me provar
Que sou dela,
Sou filha da água que corre,
Que compõe minhas veias,
E dilui meus pecados. 

Chuva...
E esses temporais insanos,
Que existem apenas para me moldar.



Confraria: Nós, Poetas está de volta

Recital de poesia: o grupo Confraria: Nós, Poetas voltou com uma sequência de três recitais, sempre aos sábados, às 17h, entrada franca, no Teatro Jofre Soares (SESC Centro). O primeiro ocorreu no último sábado, 04.07.2015, e os próximos serão nos dias 11 e 18.07.2015. O grupo não para de crescer e já conta com mais de 670 poetas (até 04.07.2015). Caiu no gosto dos alagoanos a proposta de recitais e de divulgação da poesia.

Diga o que achou do blog ou de algum poema. Agradecemos desde já seu contato.

Nome

E-mail *

Mensagem *