quinta-feira, 30 de julho de 2015
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Curiosidades da literatura alagoana – Alfredo de Barros Lima Junior e Jorge de Lima
Numa
crônica sobre Jorge de Lima, o advogado e poeta alagoano Alfredo de
Barros Lima Junior fez um relato acerca da amizade entre os dois
poetas, que foram amigos na mocidade e passaram um longo tempo
afastados, voltando depois a terem um breve convivência, já que
Jorge havia se estabelecido no Rio de Janeiro, e Lima Junior ainda
residia em Maceió. Nessa crônica, Lima Junior conta o momento em
que percebeu (e se inquietou!) a mudança de rumos da poesia de Jorge, quando este
confirma sua adesão à estética modernista. Segue, abaixo, trecho
do relato de Lima Junior.
(Do livro Alguns homens do meu tempo: evocaçōes e reminiscências, de Alfredo de Barros Lima Junior, de 1963, p. 74.)
ARDENTE SINFONIA, de Rachel Rocha Omena
ARDENTE
SINFONIA
O
poema se cala nos momentos onde
te
recebo entre minhas entranhas
estendendo
meu olhar definido rumo ao infinito
ligando
a alma a nossos instantes
entre
laços e lágrimas de prazer
Vivendo
noites que prometem
fazendo
aflorar a glória
de
um ardente espetáculo
sem
dar vazão a razão
interlúdio
entre cenas ousadas
que
lambe a pele em chamas
Sons
e vozes de um universo em oração
mensagem
entre desígnios e sinfonias
verso
que chora a
felicidade do coração
A FELICIDADE DE UM SERTANEJO, de Cicero Manoel Cordelista
A
FELICIDADE DE UM SERTANEJO
Meu
sertão tava tão seco
Que
o chão tava rachado,
De
joelhos eu pedia
Para
meu Senhor amado,
Chuva
pra molhar a terra
Pra
eu plantar meu roçado.
Já
tinha brocado a terra
Mas
a chuva não caía,
Novena
pra São José
Com
a mulher eu fazia,
Vendo
o sol torrando tudo
Eu
chorava de agonia.
O
pasto tinha morrido
A
palma se acabado,
O
barreiro aqui de casa
Tinha
ha dois dias secado,
A
vaca tava caída
E
o meu burro enterrado.
Uma
tarde eu combinei
Com
minha esposa Maria,
De
deixar nosso sertão
Na
manhã do outro dia
Em
busca de terra verde
Onde
seca não havia.
Mas
quando a manhã raiou
O
dia amanheceu nublado,
E
a chuva veio do céu
Deixando
a gente inundado,
Numa
semana o sertão
Ficou
verdinho e molhado.
Logo
plantei minha roça
Feliz,
cheio de energia,
Minha
vaca levantou-se
Vendo
o pasto que nascia,
E
na friagem da noite
Fiz
um moleque em Maria.
A
seca daqui sumiu-se
Graças
a meu Deus amado,
O
barreiro está cheio,
O
meu roçado plantado,
Em
meu cercadinho pasta
Cinco
cabeças de gado.
Maria
tá com o buchão,
Tá
quase chegando o dia,
De
nascer o nosso filho
Aqui
nessa moradia
Que
eu fiz para viver
Com
fé e com alegria.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Monólogo da chuva, de Aldemar Paiva
Está
chovendo aí ?
E
na sua vida ?
E
na sua alma ?
Se
chovia na noite em que nos vimos
e
conversamos pela vez primeira ?
Chovia
sim, e a cidade inteira
brilhava
sob a chuva que caía...
A
chuva, o frio, as luzes e o reflexo
daquela
gente tonta no passeio,
tudo
aumentava aquele meu receio
na
onda de amor que me envolvia !
Se
eu tremia na hora em que nos vimos,
num
nervosismo incompreensível ?
Tremia
sim, mas era irresistível
a
força que de ti me aproximava...
E
quando caprichosa pelo asfalto
a
chuva fez espelhos coloridos
eu
disse com ternura aos teus ouvidos
que
o teu encanto me enfeitiçava !
Se
era verdade o que eu te confessava
de
chofre como um grito inesperado ?
Verdade
sim, eu nunca tinha amado
e
disse o que pensava e o que sentia...
Sorriste
e em teus olhos de repente
As
meninas felizes me acenaram
refletindo
meus olhos que brilharam
numa
ventura que eu desconhecia !
Se
juntos nós andamos pela noite
quando
a chuva passou, sem ter destino ?
Andamos
sim, e o teu rosto divino
eu
afaguei com minhas mãos grosseiras...
O
sol e a chuva nos brindaram sempre
com
horas de perenes alegrias
até
que terminaram nossos dias
de
estima e confiança verdadeiras !
Se
eu fiquei triste e só quando tentada
por
um capricho ou por alguém talvez,
fugiste
dos meus braços certa vez ?
Eu
fiquei sim. E por sinal chovia...
E
a bendita chuva que te trouxe,
deixara
de ser boa e te levara
enquanto
nesta angústia me deixara
ilhado
de saudade e de ironia...
Se
eu te esqueci, agora que a lembrança
te
prendeu no passado sem piedade ?
Esqueci
sim. E se chega a saudade
já
não me encontra com as mãos tão frias...
Teu
vulto apagou-se na memória,
és
uma sombra e não me fazes mal...
Agora,
a chuva sim é um algoz fatal
que
evoca a noite que estragou meus dias!
4º Encontro dos Escritores Alagoanos
Organizado pelo Portal dos Escritores Alagoanos e pela Academia Pilarense de Letras, o 4º Encontro dos Escritores Alagoanos será realizado no dia 25 de julho de 2015, em Pilar-AL. Mais informações no site do Portal (http://www.escritoresalagoanos.com.br/).
Noite fria..., de MCarmo Costa
Noite fria...
A
chuva cai devagar, latejante.
Me
enrosco sob os lençóis
na
cama amiga
que
abriga
minha
alma carente,
lasciva,
meu
corpo calado,
molhado.
Solitário.
Rosa antes da palavra rosa, de Geraldino Brasil
Rosa antes
da palavra rosa,
antes da
palavra flor,
antes da
palavra cor,
na tua
original pureza,
beleza
intocada antes
do
primeiro beija-flor
que hauriu
teu néctar
em êxtase,
rosa antes
do
primeiro jardineiro
amante em
que começaste
na
primeira excitação
do
primeiro humano olhar,
esta
amorosa emoção
da poesia
de amar.
(Do livro Não haverá o anoitecer, de 1991, p. 15.)
quarta-feira, 8 de julho de 2015
RPA no Facebook
Agradeço a todos os que já visitaram e entraram em contato com a administração deste blog, demonstrando não só interesse no tema, mas uma grande vontade de ver a poesia alagoana ser mais divulgada, mais comentada, mais vivida. E informo que a RPA agora tem fanpage, como dizem os mais entendidos em tecnologia. É uma página no Facebook, para quem desejar interagir de forma mais imediata e curtir a RPA. O endereço da fanpage é https://www.facebook.com/revistadepoesiaalagoana . Abraço a todos.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Chuva... , de Lis Nogueira
Chuva...
Chuva que cai
E me rasga a alma
Como ácido,
Exigindo de mim a pele,
Lavando as minhas verdades,
Enquanto nasço planta nova,
Desse solo árido.
E me rasga a alma
Como ácido,
Exigindo de mim a pele,
Lavando as minhas verdades,
Enquanto nasço planta nova,
Desse solo árido.
Chuva,
Que me desnuda o silêncio,
Confunde os meus caminhos,
Molhando meus pés e passos,
Diante da lama que só eu vejo.
Chuva forte;
Que decide o que será do meu destino,
A dança ou a quietude...
Cai gota a gota
Enquanto penso sobre as pendências em mim.
Chuva que fere o aço,
As culpas e os estilhaços;
Nutre como enxurrada as minhas esperanças,
Desperta os sons da minha essência;
Do banjo ao baixo,
Dos suspiros aos gritos.
Chuva que me leva a sombra
E desbrava as fronteiras
De medos que não tenho mais;
Nem mesmo do excesso
Que inunda meu cais,
Nem mesmo da correnteza
Que costuma me acorrentar,
Nem mesmo da tempestade
Que demora a passar.
Chuva
Que me serve muito;
Serve até para me provar
Que sou dela,
Sou filha da água que corre,
Que compõe minhas veias,
E dilui meus pecados.
Chuva...
E esses temporais insanos,
Que existem apenas para me moldar.
Confraria: Nós, Poetas está de volta
Recital
de poesia:
o grupo Confraria:
Nós, Poetas
voltou com uma sequência de três recitais, sempre aos sábados, às
17h, entrada franca, no Teatro Jofre Soares (SESC Centro). O primeiro
ocorreu no último sábado, 04.07.2015, e os próximos serão nos
dias 11 e 18.07.2015. O grupo não para de crescer e já conta com
mais de 670 poetas (até 04.07.2015). Caiu no gosto dos alagoanos a
proposta de recitais e de divulgação da poesia.
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